{"id":26,"date":"2025-04-07T10:42:00","date_gmt":"2025-04-07T10:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/zoejdmart7.wordpress.com\/?p=26"},"modified":"2025-07-06T18:14:15","modified_gmt":"2025-07-06T18:14:15","slug":"mais-dias-menos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/mais-dias-menos-pais\/","title":{"rendered":"Mais Dias, Menos Pais: O Paradoxo da Licen\u00e7a Parental"},"content":{"rendered":"<p>Dois artigos recentemente publicados <em>Expresso<\/em> (<a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-04-03-caiu-o-numero-de-pais-que-partilham-as-licencas-parentais-com-as-maes-no-ano-em-que-os-incentivos-aumentaram-8e2a18b6\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2025-04-04-ha-gajos-que-parece-que-foram-eles-que-pariram-o-bebe-como-o-estigma-persiste-quando-os-homens-gozam-direitos-parentais-a83792c8\">aqui<\/a>) sublinham uma dicotomia interessante. Por um lado, um refor\u00e7o recente em Portugal dos incentivos \u00e0 partilha da licen\u00e7a parental (ou seja, gozada, por exemplo, por m\u00e3es e pais): um aumento do total de dias em casa com o rec\u00e9m-nascido (de 120 ou 150 dias para 180) e do sal\u00e1rio durante este per\u00edodo quando o pai usufrui de 60 dias da licen\u00e7a (de 83% para 90%). Contudo, e apesar desta pol\u00edtica clara de incentivo, verifica-se em 2023 uma diminui\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a por parte dos homens (49,6% em 2023; 47,6% em 2024). Parece paradoxal: anexar mais benef\u00edcios a um comportamento devia, intuitivamente, aumentar a sua ocorr\u00eancia. O que se observa, por\u00e9m, \u00e9 que, apesar de bem intencionada e relativamente generosa, esta pol\u00edtica tem um impacto limitado ou nulo \u2014 o que sugere que as barreiras n\u00e3o s\u00e3o materiais, ou simples an\u00e1lises de custo-benef\u00edcio. Por vezes, as barreiras s\u00e3o sociais, o que vem demonstrar que o desenho de uma pol\u00edtica p\u00fablica desta natureza tem de ter em conta o contexto social, procurando antever obst\u00e1culos de natureza identit\u00e1ria e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque \u00e9 que, apesar do refor\u00e7o \u00e0s pol\u00edticas de apoio \u00e0s licen\u00e7as parentais partilhadas, o n\u00famero de homens que usufrui destas licen\u00e7as tem vindo a diminuir?<\/p>\n\n\n\n<p>Como em tudo o que diz respeito ao comportamento humano, a realidade \u00e9 complexa, multi-causal, e, muitas vezes, contra-intuitiva. Algumas explica\u00e7\u00f5es mais \u00f3bvias a avan\u00e7ar prendem-se com estere\u00f3tipos relativos ao g\u00e9nero. Aqui, estamos inteiramente no \u00e2mbito da psicologia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Estere\u00f3tipos s\u00e3o socialmente partilhados e, no caso do g\u00e9nero, h\u00e1, por exemplo, cren\u00e7as e expectativas relativas ao papel distinto de homens e mulheres na vida familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A psicologia social oferece-nos v\u00e1rios modelos te\u00f3ricos e investiga\u00e7\u00e3o aplicada sobre os estere\u00f3tipos e o seu conte\u00fado. Por exemplo, segundo o <a href=\"https:\/\/psycnet.apa.org\/doiLanding?doi=10.1037%2F0022-3514.82.6.878\">Modelo de Conte\u00fado dos Estere\u00f3tipos<\/a>, verificamos que a \u201cmulher t\u00edpica\u201d \u00e9 vista como mais calorosa do que competente, com um posicionamento semelhante ao da \u201cmulher dom\u00e9stica\u201d e afastado da \u201cmulher de carreira\u201d; por sua vez,<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1023\/A:1021020920715\"> o \u201chomem t\u00edpico\u201d \u00e9 visto como mais competente do que caloroso, posicionado junto ao \u201cgestor\u201d e ao \u201chomem de carreira\u201d.<\/a> Mais: ao ser m\u00e3e, a \u201cmulher de carreira\u201d passa a ser vista como calorosa, mas j\u00e1 n\u00e3o como competente \u2014 ou seja, para uma mulher, ser m\u00e3e implica trocar compet\u00eancia por afabilidade, em termos de perce\u00e7\u00e3o pelos seus pares; para os homens, ser pai n\u00e3o requer qualquer troca, e \u00e0 compet\u00eancia \u00e9 adicionada a perce\u00e7\u00e3o de caloroso \u2014 ou seja, o homem n\u00e3o perde nada no contexto profissional em termos de perce\u00e7\u00e3o das suas capacidades profissionais. <a href=\"https:\/\/spssi.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.0022-4537.2004.00381.x\">A consequ\u00eancia \u00e9 \u00f3bvia e em preju\u00edzo das mulheres<\/a>: chegado o momento de empregar, promover, ou treinar algu\u00e9m, quem preferiria algu\u00e9m que v\u00ea como tendo perdido a compet\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p>Se um homem n\u00e3o troca a sua aura de competente por uma de caloroso ao ser pai, apenas somando as duas, porque n\u00e3o partilhar a licen\u00e7a parental? O custo profissional parece estar do lado das m\u00e3es; e, ainda assim, s\u00e3o elas quem usufruem maioritariamente das licen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na dimens\u00e3o social e identit\u00e1ria do homem em Portugal: o custo  de somar o caloroso ao competente \u00e9, afinal, o de ser visto como \u201cmenos homem\u201d. At\u00e9 no cotidiano encontramos sinais desta realidade: vejamos os usos do termo \u201chomem\u201d na linguagem comum. \u201cFaz-te homem\u201d \u00e9 utilizado para sugerir que se deve ser forte, capaz de enfrentar adversidades; \u201cn\u00e3o \u00e9s homem para isso\u201d sugere que aceitar desafios dif\u00edceis, \u00e0s vezes associados a riscos, \u00e9 expect\u00e1vel de um homem. Nunca ouvimos \u201cfaz-te mulher\u201d ou \u201cn\u00e3o \u00e9s mulher para isso\u201d nestas circunst\u00e2ncias, o que nos informa sobre o conte\u00fado do estere\u00f3tipo de homem: bravura, dureza, coragem. Assumir comportamentos contra-estereot\u00edpicos p\u00f5e em risco a nossa perten\u00e7a ao grupo. Isto \u00e9 ilustrado nos artigos do <em>Expresso<\/em> , em cita\u00e7\u00f5es de express\u00f5es como \u201cH\u00e1 gajos que parece que foram eles que pariram o beb\u00e9\u201d. Este \u00e9 um exemplo do custo associado ao comportamento estereot\u00edpico, do qual o usufruto de uma licen\u00e7a parental, por parte de um pai, \u00e9 um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta ideia \u00e9 apoiada por vasta investiga\u00e7\u00e3o ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Numa aferi\u00e7\u00e3o de quais as <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/01454455870112001\">situa\u00e7\u00f5es que os homens consideram indutoras de stress<\/a>, cinco categorias sobressaem:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Inadequa\u00e7\u00e3o f\u00edsica (e.g., n\u00e3o estar em boa condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ser comparado desfavoravelmente a outros homens, ser percebido como tendo tra\u00e7os femininos);<\/li>\n\n\n\n<li>Express\u00e3o emocional (admitir que se tem medo de algo; confortar um amigo; ser visto a chorar pelos filhos; falar com uma mulher que est\u00e1 a chorar);<\/li>\n\n\n\n<li>Subordina\u00e7\u00e3o a mulheres (ter uma mulher como chefe; deixar uma mulher controlar uma situa\u00e7\u00e3o; casar com uma mulher que ganhe mais; admitir perante amigos que faz trabalho dom\u00e9stico);<\/li>\n\n\n\n<li>Inferioridade intelectual (pedir dire\u00e7\u00f5es; que outros digam que \u00e9 indeciso ou demasiado emocional; ficar em casa durante o dia com uma crian\u00e7a doente);<\/li>\n\n\n\n<li>Baixa performance (estar desempregado; n\u00e3o ganhar dinheiro suficiente; performance sexual insatisfat\u00f3ria).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A este custo acresce a necessidade constante de manuten\u00e7\u00e3o, de modo a que a masculinidade n\u00e3o seja questionada pelos outros. Resumidamente, e tamb\u00e9m com sustenta\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, \u00e9 algo \"<a href=\"https:\/\/psycnet.apa.org\/doiLanding?doi=10.1037%2Fa0029826\">dif\u00edcil de adquirir, f\u00e1cil de perder<\/a>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o parece ser circular e sem sa\u00edda: medidas que encorajem a partilha da licen\u00e7a parental visam igualdade entre g\u00e9neros; simultaneamente, \u00e9 a mesma realidade que queremos mudar que resiste a qualquer mudan\u00e7a e leva \u00e0 inefic\u00e1cia das medidas adotadas. Mas \u00e9 exatamente este contexto social que tem de ser tido em conta no desenho de uma pol\u00edtica p\u00fablica sobre este assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados provam isto mesmo: os artigos do <em>Expresso<\/em> comparam-nos \u00e0 Su\u00e9cia, onde a licen\u00e7a parental \u00e9 mais vista como ben\u00e9fica para os homens. Mas o que nos dizem os dados,  mais amplamente, sobre a quest\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que 95% dos Suecos concordam totalmente que \u00e9 aceit\u00e1vel que um homem chore, mas que apenas 41% dos Portugueses s\u00e3o da mesma opini\u00e3o(m\u00e9dia da UE: 51%).<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que, j\u00e1 em 2005, 48% dos Suecos discordam fortemente de que os homens s\u00e3o melhores \u201cexecutivos empresariais\u201d, e que essa percentagem aumentou para 72,3% em 2017. Em forte contraste, <a href=\"https:\/\/www.worldvaluessurvey.org\/wvs.jsp\">apenas 29% dos Portugueses t\u00eam essa opini\u00e3o em 2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A invej\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o sueca na atualidade, no que toca ao gozo da licen\u00e7a parental, resulta de d\u00e9cadas de pol\u00edticas p\u00fablicas pensadas e desenhadas para lidar com a mais ampla quest\u00e3o da igualdade de g\u00e9nero. Um outro exemplo neste sentido, mas num <a href=\"https:\/\/japansociology.com\/2013\/11\/21\/ikumen-challenges-and-support-of-new-generation-of-japanese-fathers\/\">contexto social mais dif\u00edcil<\/a>\u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/article\/20181127-ikumen-how-japans-hunky-dads-are-changing-parenting\">Projeto Ikumen<\/a> <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/stories\/2018\/12\/japan-fathers-family-ikumen\/\">lan\u00e7ado no Jap\u00e3o<\/a> \u2014 pa\u00eds em que o envolvimento paterno com a fam\u00edlia era t\u00e3o baixo que, em m\u00e9dia, nos anos 80, um homem interagia 40 minutos por dia com os seus filhos, incluindo os tempos de refei\u00e7\u00e3o. O objetivo deste projeto foi promover o envolvimento dos pais com os filhos atrav\u00e9s de uma redefini\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00e9nero. Foi feita uma campanha que envolveu semin\u00e1rios, workshops, material educativo, e presen\u00e7a em v\u00e1rios media, abordando a quest\u00e3o central da ideia de \u201cmasculinidade\u201d e de \u201cpai\u201d. A consequ\u00eancia foi um aumento da participa\u00e7\u00e3o masculina na licen\u00e7a parental de 1.9% para 7% entre 2012 e 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa conclus\u00e3o \u00e9 de que a inefic\u00e1cia da pol\u00edtica implementada em Portugal pode bem ser resultado de uma vis\u00e3o redutora do problema. Ao n\u00e3o estar integrada  numa pol\u00edtica mais abrangente, n\u00e3o se previu como cren\u00e7as e cogni\u00e7\u00f5es sobre pap\u00e9is de g\u00e9nero seriam um obst\u00e1culo aos objetivos da pol\u00edtica p\u00fablica, tornando-a totalmente ineficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas cren\u00e7as, cogni\u00e7\u00f5es, e comportamentos s\u00e3o o objeto de estudo da psicologia social, uma \u00e1rea dedicada \u00e0 compreens\u00e3o de como o comportamento humano \u00e9 resultante de um sistema complexo de fatores causais, o que leva que a tomada de decis\u00e3o n\u00e3o siga um algoritmo racional, e a que os fen\u00f3menos internos sejam determinantes. Consequentemente, pol\u00edticas p\u00fablicas que interajam com a popula\u00e7\u00e3o, quer para inibir ou motivar comportamentos, correm riscos ao limitar-se a benef\u00edcios econ\u00f3micos objetivos, ou ao basearem-se em legisla\u00e7\u00e3o isolada, sem incorporar o conhecimento da \u00e1rea da psicologia social acerca do que leva as pessoas a agir \u2014 ou a n\u00e3o agir.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Two articles published this year by Expresso (here and here) highlight an interesting dichotomy. On the one hand, there has been a recent strengthening in Portugal of incentives for sharing parental leave (i.e., taken by both mothers and fathers, for example): an increase in the total number of days at home with a newborn (from 120 or 150 days to 180) and the salary during this period when the father takes 60 days of leave (from 83% to 90%). However, despite this clear policy incentive, there has been a decrease in the use of leave by men in 2023 (49.6% in 2023; 47.6% in 2024). This seems paradoxical: adding more benefits to a behavior should, intuitively, increase its occurrence. What is observed, however, is that, despite being well-intentioned and relatively generous, this policy has a limited or zero impact \u2014 suggesting that the barriers are not material, nor simple cost-benefit analyses. Sometimes, the barriers are social, which demonstrates that the design of public policy of this nature must take the social context into account, aiming to anticipate identity and cultural obstacles. Why, despite strengthening policies supporting shared parental leave, is the number of men taking this leave decreasing? As with everything related to human behavior, the reality is complex, multi-causal, and often counterintuitive. Some more obvious explanations involve gender stereotypes. Here, we are entirely in the realm of social psychology. Stereotypes are socially shared, and in the case of gender, there are, for example, beliefs and expectations regarding the distinct roles of men and women in family life. Stereotypes are socially shared and, in the case of gender, there are, for example, beliefs and expectations regarding distinct roles for men and women in family lifes. Social psychology offers several theoretical models and applied research on stereotypes and their content. For example, according to the Stereotype Content Model, we find that the &#8220;typical woman&#8221; is seen as warmer than competent, positioned similarly to the &#8220;housewife&#8221; and far from the &#8220;career woman&#8221;; in turn, the &#8220;typical man&#8221; is seen as more competent than warm, positioned next to the &#8220;manager&#8221; and the &#8220;career man.&#8221; Furthermore, when a woman becomes a mother, the &#8220;career woman&#8221; is seen as warm but no longer as competent \u2014 meaning that for a woman, being a mother involves trading competence for affability, in terms of how peers perceive her. For men, becoming a father does not require any trade-off; instead, warmth is added to their competence \u2014 meaning that a man loses nothing in the professional context in terms of how his professional abilities are perceived. The consequence is obvious and detrimental to women: when it comes time to employ, promote, or train someone, who would prefer someone they see as having lost competence? If a man does not trade his aura of competence for warmth when becoming a father, merely adding both, why not share parental leave? The professional cost seems to lie with mothers; yet, they are the ones who predominantly take the leave. The explanation lies in the social and identity dimension of men in Portugal: the cost of adding warmth to competence is, after all, being seen as &#8220;less of a man.&#8221; Even in everyday life, we see signs of this reality: consider the use of the term &#8220;man&#8221; in everyday language. &#8220;Be a man&#8221; is used to suggest that one should be strong, able to face adversity; &#8220;you&#8217;re not man enough for that&#8221; suggests that accepting difficult challenges, sometimes associated with risks, is expected of a man. We never hear &#8220;be a woman&#8221; or &#8220;you&#8217;re not woman enough for that&#8221; in these circumstances, which informs us about the content of the male stereotype: bravery, toughness, courage. Engaging in counter-stereotypical behaviors puts our belonging to the group at risk. This is illustrated in the Expresso articles, with quotes like &#8220;There are guys who act like they were the ones who gave birth to the baby.&#8221; This is an example of the cost associated with stereotypical behavior, of which taking parental leave as a father is an example. This idea is supported by extensive research over the past decades. In an assessment of what situations men consider stress-inducing, five categories stand out: This cost is compounded by the constant need for maintenance, so that masculinity is not questioned by others. In short, and also supported by empirical evidence, it is something &#8220;hard won and easily lost&#8220;. The situation seems to be circular and without an exit: measures encouraging the sharing of parental leave aim for gender equality; at the same time, it is the very reality we want to change that resists any change, leading to the ineffectiveness of the measures adopted. But it is exactly this social context that must be taken into account when designing public policy on this issue. The data prove this: the Expresso articles compare us to Sweden, where parental leave is seen as more beneficial for men. But what do the data more broadly tell us about the issue? We see that 95% of Swedes fully agree that it is acceptable for a man to cry, but only 41% of Portuguese agree with this (EU average: 51%). We know that as early as 2005, 48% of Swedes strongly disagreed that men are better &#8220;business executives,&#8221; and that this percentage increased to 72.3% in 2017. In stark contrast, only 29% of Portuguese held this opinion in 2020. The enviable Swedish situation today regarding the use of parental leave results from decades of public policies designed to address the broader issue of gender equality. Another example in this regard, but in a more challenging social context, is the Ikumen Project launched in Japan \u2014 a country where paternal involvement with family was so low that, on average, in the 1980s, a man interacted with his children for only 40 minutes a day, including mealtime. The goal of this project was to promote father-child engagement through a redefinition of gender roles. A campaign was conducted involving seminars, workshops, educational material, and<a href=\"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/mais-dias-menos-pais\/\" rel=\"bookmark\"><span class=\"screen-reader-text\">Mais Dias, Menos Pais: O Paradoxo da Licen\u00e7a Parental<\/span><\/a><\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"neve_meta_sidebar":"","neve_meta_container":"","neve_meta_enable_content_width":"","neve_meta_content_width":0,"neve_meta_title_alignment":"","neve_meta_author_avatar":"","neve_post_elements_order":"","neve_meta_disable_header":"","neve_meta_disable_footer":"","neve_meta_disable_title":"","footnotes":""},"categories":[11],"tags":[10],"class_list":["post-26","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","tag-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1365,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions\/1365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/goatpolicy.eu\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}